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Publicado em Notícias
Postado por  Província Irmã Amábile Avosani 03 Dezembro 2019
Experiência no Sínodo da Amazônia!

 

O sentimento de gratidão e alegria perpassou todos os momentos,

pois estávamos construindo “novos caminhos para a igreja da Amazônia”,

trazendo as vozes dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, mulheres,

agricultores e das cidades, para que pudessem ser incluídas no documento final.

No mês de julho recebi uma carta-convite do Secretário Geral do Sínodo dos Bispos para participar, como auditora, do Sínodo da Amazônia. Para mim, foi uma enorme alegria, mas logo senti que era também uma responsabilidade muito grande com a igreja da Amazônia, com os povos originários e amazônicos.

Estar em Roma foi algo muito grandioso, um misto de admiração, medo, ansiedade e corresponsabilidade, considerando a missão que tínhamos na Assembleia Sinodal. A experiência de Sinodalidade foi visível e assumida por todos os participantes. Em muitos momentos, tivemos voz para expressar o que ouvimos dos grupos e pessoas, no período da escuta pré-sinodal. O sentimento de gratidão e alegria perpassou todos os momentos, pois estávamos construindo “novos caminhos para a igreja da Amazônia”, trazendo as vozes dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, mulheres, agricultores e das cidades, para que pudessem ser incluídas no documento final.

O Sínodo realizou-se na Cidade do Vaticano, de 06 a 27 de outubro, e dele participaram 185 padres sinodais, 6 delegados fraternos, 12 enviados especiais, 25 especialistas e 55 auditores e auditoras, entre os quais indígenas e agentes pastorais, provenientes de todo o território Pan-Amazônico.

A metodologia incluiu a realização de 16 sessões na aula sinodal, denominadas “congregações gerais”, intercaladas com 11 sessões em círculos menores.

Nas congregações gerais, os padres sinodais e também os auditores e auditoras tiveram quatro minutos para falar sobre algum aspecto da escuta feita no período pré-sinodal. Após quatro intervenções havia um tempo de quatro minutos de silêncio, para ouvir os ecos e os sopros do Espírito e ajudar no processo de discernimento comunitário.

Os círculos menores, em número de 12 e organizados por línguas, permitiram que todas as pessoas tivessem voz, trazendo suas preocupações, desafios e propostas para a igreja na Amazônia. Isso tudo foi anotado por um relator e entregue a uma comissão que elaborou a proposta de documento final, apresentada nas últimas sessões do Sínodo.

Sentiu-se forte o espírito de oração e discernimento, regando os trabalhos e também os momentos de tensão na busca de caminhos. A presença do Papa Francisco foi uma presença fraterna, serena e de muita proximidade. Sempre se dirigia ao grupo com a atitude de alguém que está buscando conjuntamente caminhos e respostas, para ser uma igreja serva, samaritana e em saída. Nos contatos pessoais, dava uma palavra de incentivo, com um sorriso incansável no rosto. Também senti de perto o seu abraço fraterno e acolhedor.

Dos muitos aprendizados que tive nesta experiência posso afirmar, sem pensar muito, que foi um tempo de verdadeiro kairós para a igreja da Amazônia e para igreja como um todo. A presença dos “emplumados” (assim chamaram os indígenas), ribeirinhos, afro-descendentes e mulheres, de religiosos e religiosas, especialistas, delegados fraternos, padres e bispos, a maioria presente no espaço da Amazônia, possibilitou a partilha e o debate de muitas questões, de forma bem concreta e vivencial.

Meu sentimento é de gratidão, pois este Sínodo trouxe para o centro da reflexão e para o coração da igreja os povos originários e amazônicos, visibilizando a realidade presente no nosso território, como a exploração e a devastação ambiental por madeireiros e garimpeiros, a grilagem de terra, o etnocídio e o genocídio dos povos indígenas, a crescente migração e o aumento dos cinturões de pobreza nas periferias das cidades. Tivemos a oportunidade de mostrar também a riqueza dos povos originários e amazônicos, com suas culturas, espiritualidades e religiosidades. Ficou ainda mais claro que “tudo está interligado”, e se não cuidamos da Casa Comum não teremos possibilidade de vida.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Laura Vicuña

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