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Publicado em Notícias
Postado por  Sede Geral - Isabel do Rocio 27 Junho 2020
FRANCISCLAREANDO: Alegria - Força de Vida

 

O mundo anda falto de alegria, falto de sorrisos abertos, falto daquela capacidade de vibrar com coisas triviais. Quando falamos mundo, falamos de nós também. Estamos nele inseridas e dele somos parte. “Você é filha do universo...”

 A alegria é sem dúvida, um dos temas mais recorrentes na Bíblia. O termo aparece 244 vezes, como substantivo e muitíssimas outras em forma de adjetivo, verbo ou advérbio: é a alegria dos nascimentos, do encontro e reencontro, da libertação, da travessia, da entrada na terra, da colheita, da subida para a celebração das festas em Jerusalém, a alegria perene da salvação, porque a antiga Sabedoria garante: “nenhum tormento os/as afetará” (cf. Sb 3,1). A própria sabedoria “era a alegria cotidiana do Criador” (cf. Pr 8,30b), e o Apocalipse está cheio de gente vestida de branco, de cantos de anjos e a descrição de um mundo só de fartura, saúde e alegria.

Em Francisco, segundo testemunho dos companheiros da primeira hora, de seus biógrafos oficiais e outros textos, a alegria é fiel companheira. No livro dos Fioretti (Florzinhas), que não são, como creiamos em outros tempos, apenas contos jocosos, mas testemunhos fidedignos, está o mais conhecido de todos estes textos: A perfeita alegria. Certa vez São Francisco vinha com frei Leão de Perusa para Santa Maria dos Anjos, em tempo do inverno e atormentado pelo fortíssimo frio. Frei Leão pediu-lhe: Pai, peço-te que me digas: onde está a perfeita alegria.

Francisco lhe respondeu: Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro… nos deixa no tempo, na neve, na chuva, com frio e fome: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade… sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele, escreve que nisso está a perfeita alegria…

E se constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite batermos mais… E se sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: Se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor… nisso está a perfeita alegria… pelo amor, suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos”. (Adap. I Fioretti, 8).

A alegria acompanha Francisco até seus últimos momentos e em circunstâncias bem adversas. Gravemente enfermo, hospedado no palácio do bispo, ele cantava muitas vezes e os irmãos lhe disseram que ele devia “pensar na morte e antes chorar que cantar”. Sua resposta é defesa da alegria: “Deus me assegurou a remissão de todos meus pecados... Até àquela revelação eu lamentava a morte e meus pecados mas depois desta revelação, fiquei tão cheio de alegria que não posso mais chorar; eu canto e cantarei ...” (Quarta consideração dos sacrossantos estigmas – Anexo I Fioretti).

Em Clara podemos afirmar que a alegria é permanente estado de espírito. A Legenda nos relata que “ficava sempre de cara festiva e alegre em suas mortificações...e que a santa alegria que lhe sobrava dentro extravasava fora, porque o amor do coração tornava leves os castigos corporais” (LSC 18,9-10). É capaz de alegrar-se com o sucesso da outra pessoa, o que faz tanto bem à vida comunitária: Sabedora da boa fama de vosso comportamento e vida...muito me alegro e exulto no Senhor” (1In 3). E reitera em outra carta: “Tenho a maior alegria e transbordo com a maior exultação no Senhor ao saber que está cheia de vigor...” (3In 3).

Clara se alegra com a caminhada espiritual de Inês e reconhece que o progresso da amiga é seu progresso também: “Eu me alegro de verdade, e ninguém vai poder roubar-me esta alegria...” (3In 5). Ela também sabe que a alegria é virtude a ser cultivada e cuidada com atenção: “Exulte sempre no Senhor, também você, querida. Não se deixe envolver pela amargura e o desânimo...” (3In 10.11). Encontra alegria em algo simples como é poder escrever a uma amiga: “Agora, podendo escrever à minha querida, alegro-me e exulto com você, ó esposa de Cristo, na alegria do espírito” (4In 7). Alegra-se porque Ermentrudes escolheu consagrar sua vida a Deus, na vida contemplativa: “Alegro-me por isso e congratulo-me com você, como me alegro porque você e suas filhas seguem com valor os caminhos da virtude” (Er 3).

A alegria faz parte de nosso carisma – “...simplicidade, disponibilidade e alegria...”. Ela torna a vida mais leve, dá energia e força, dá asas aos pés e ao coração. Como é bom voltar a nossas casas quando sabemos que vamos ser recebidas com um sorriso amável, que nossas refeições serão alegres, que nos sentaremos depois para um momento de descontração e partilha fraterna.

Cultivemos a alegria, presente na criação, anunciada para o final dos tempos e tão parte de nossa história, de nosso projeto de vida. Que nos ajudem Clara e Francisco, Maria, Amábile, Liduína, Roseta, Pinota, Hedwiges e tantas outras que nos deixaram o legado do sorriso, da convivência alegre e feliz.                                                                                                     

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Maria Fachini

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