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23 Agosto 2016
Faz escuro, mas eu canto!

22 de agosto de 1991 - 22 de agosto de 2016. Um piscar de olhos e já se passaram 25 anos, desde que pisei neste solo sagrado da mãe África!

Ah! Mas quanta vida, quanta aprendizagem, quanta esperança, sonho, medo, fé, ternura, dúvida, trabalho, convivência, enfim, quanta paixão partilhada!

Obrigada, Mãe África, por ter me acolhido, por ter me permitido partilhar esta paixão pelo Reino, que queimava meu coração de jovem missionária!

Obrigada por me permitir, ainda hoje, continuar partilhando esse coração, agora mais amadurecido na ternura do “invisível aos olhos” e que continua tão apaixonado quanto antes.

E é por isso que hoje, com Thiago de Melo, salmodio minha ação de graças: “Faz escuro, mas eu canto!

Faz escuro porque não corro mais como antes nos becos ou nas lavras, nos pátios das escolas, para o caminho dos leprosos ou para as comunidades! Mas eu canto porque meu coração continua indo nesses mesmos lugares ou em outros, com o mesmo desejo do bem, da compaixão, da amorosidade universal.

Faz escuro porque já não conduzo e não tenho como dar boleia e colaborar na missão tanto quanto gostaria! Mas eu canto porque consigo sentir com infinita concretude a imensa bondade divina presente nas inúmeras pessoas mais velhas, crianças, jovens, homens e mulheres, de todas as classes e crenças, que a cada dia são solidárias comigo, nesta louca e amada cidade de Luanda.

Faz escuro porque não estou mais nos debates apaixonantes nas aulas com jovens estudantes, que sonhavam e sonham uma Angola melhor, um Moçambique melhor, uma África melhor, um mundo melhor! Mas eu canto porque muitos deles e delas estão por aí buscando construir esse mundo com que sonham. Canto porque as crianças, as muitas crianças que brincam nas ruas desta Angola, Moçambique, África, me fazem crer que basta o pouco pra ser feliz, mesmo que falte muito para a justiça acontecer!

Faz escuro porque está ficando difícil identificar a fisionomia das pessoas, as visitas ou as da casa, o limpo e o sujo, a porta ou a parede... Mas eu canto porque me sinto livre de preconceitos causados pelas aparências, e porque sinto estampada nos gestos a ternura, a solidariedade e a compreensão das irmãs e formandas que convivem comigo!

Faz escuro porque não posso mais ver com nitidez a beleza da rosa de porcelana ou do majestoso embondeiro; a beleza diversificada dos cabelos trançados. Mas eu canto porque já consigo pressentir a beleza das flores escondida na pequenez da semente; canto porque aprendi com as mulheres africanas, de todas as idades, que a resistência e a teimosia pela Vida nos fazem pisar a dor com gingado e maestria!

Por isso e muito mais, amigas, amigos, comunidades, colegas de profissão, estudantes (meus ex-alunos), formandas e irmãs; pessoas conhecidas ou pessoas anônimas que teceram comigo esses 25 anos, minha gratidão!

Minha sintonia e agradecimento especial às irmãs Vitalina Trentin e Maria Esther Giacomet, minhas primeiras companheiras nesta missão. Juntas damos os primeiros passos, levamos os primeiros sustos e enfrentamos os primeiros medos; juntas plantamos as primeiras sementes e recebemos os primeiros abraços! Obrigada, manas!

Minha gratidãoa minha família, congregação, amigos e amigas do Brasil e de outras partes do mundo, que me acompanharam marcando presença de muitas maneiras nesta minha caminhada.

E que a Divina Fonte da Vida continue sendo em mim, em nós, a paixão que renova a cada dia a entrega da vida, gota a gota, pelo Reino!

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Carmelita Zanella