“Todas as bênçãos de Ti nos vêm...”
Francisco de Assis encantou a sociedade de seu tempo com um novo modo de viver, seguindo Jesus Cristo e acolhendo todas as criaturas como dom do Criador. Assim também, um jovem cearense de trinta e dois anos encantou-nos por sua mística de reverência e cuidado com a natureza entre os dias 07 a 09 de junho de 2019, em Fátima de São Lourenço – berço sagrado da missão das Irmãs Catequistas Franciscanas no Mato Grosso – no curso sobre Agrofloresta: práticas, princípios e processos.
Éramos cinquenta participantes de diversas profissões, culturas e denominações religiosas. Destacamos a presença de dois indígenas Kaiowa; dos três funcionários da Irmandade de Fátima; das Irmãs Ana Lúcia Corbani, Cristina Souza, Edilúcia de Freitas, Evanilda Junker Cavalheiro, Nadilza Tavares de Matos, Rosa Heinzen e Formandas Catiana da Silva Menezes, Poliana Almeida dos Santos e Girlaine Almeida da Silva.
O Curso veio ao encontro do desejo de atualização na vivência do carisma das Irmãs Catequistas Franciscanas, neste momento histórico de crise de sentido e de falta de cuidado com a Casa Comum. Essa crise se dá num acelerado processo de entropia, ou seja, perda de energia provocada pela agricultura convencional e outros processos de degradação do solo.
Fomos introduzidos/as numa breve exposição sobre o conceito de SINTROPIA. É um sistema de produção que possibilita a geração de energia e a autoprodução da própria natureza, através do manejo sustentável da mesma, garantindo o processo de fotossíntese e a geração da vida em abundância.
Os pilares da Agricultura sintrópica são: cobertura de solo, poda como elemento essencial, senescência (o envelhecimento das folhas), sucessão e estratificação – que organiza e seleciona as plantas de acordo com seu ciclo de vida e tamanho vertical e horizontal.
O jovem Antonio Gomides, do Movimento de Agroflorestores de Inclusão Sintrópica (MAIS), servindo-se apenas de um facão, uma tesoura de poda e um pequeno serrote, nos envolveu num processo de reconexão com a natureza como um todo. Transformamos 250m² de área de cerrado totalmente degradada, numa “sala de aula”. Com ele, nos exercitamos como pequenos/as aprendizes a plantadores/as de água e de alimento através do manejo do solo, com cobertura de matéria orgânica e do plantio consorciado de árvores nativas, verduras, legumes, cereais, tubérculos, frutas, plantas medicinais. Ao todo, formamos seis canteiros com o plantio de trinta diferentes espécies de vegetais, obedecendo a sensibilidade da floresta.
Este modelo de agricultura sintrópica, criada pelo ambientalista Ernest Gotsch, garante a recuperação da floresta, a produção variada de alimentos orgânicos, a recuperação da água e a umidade do ar.
O curso nos ofereceu uma chave preciosa para uma radical mudança de paradigma na relação com a natureza, na produção de alimentos, numa atitude respeitadora e corresponsável na preservação e restauração da Casa Comum.
