O chamado é sempre para recomeçar, buscar novos caminhos com energia renovada, com novo alento e solicitude redobrada.
Já estamos virando as últimas páginas de 2025. Instintivamente olhamos para trás e nosso coração se volta para o Alto, para o Senhor dos tempos e Regedor da história. O sentimento não é outro: é agradecimento, é ação de graças, é reconhecimento da Raiz de nossa força nas vicissitudes, da presença protetora nos perigos, da mão que nos sustentou quando as forças falharam, da Fonte de alegria e exultação, da razão de estarmos vivas, vivos, da energia que sustenta o mundo e mantém a harmonia do universo.
Agradecemos o êxito alcançado, e a força da conformidade quando não o alcançamos; agradecemos a mão que se nos estendeu e também o obstáculo contra o qual nos sentimos sós para lutar, mas que ao superá-lo, nos percebemos fortes e mais confiantes; louvamos e bendizemos pelos encontros que nos levantaram e pela oposição que sentimos quando necessitávamos de apoio.
Agradecemos nossa vocação e as condições de segui-la; agradecemos os caminhos e portas que se nos abriram e as vias alternativas que conseguimos abrir. Agradecemos a convivência que nos alegrou e fortaleceu e aquela que provou nossa resiliência, nossa capacidade de superar conflitos ou conviver com eles.
Desde o húmus de que somos feitos, louvar pelos grandes feitos da humanidade: pelas enfermidades vencidas, pelas conquistas da medicina, da tecnologia, da ciência. Louvamos pela vida que se nos renova a cada dia como surpresa e como caminho. Agradecidos/as como Francisco, proclamemos com todas as fibras de nosso ser:
“Vós sois o santo, Senhor Deus único, que fazeis maravilhas.
Vós sois o Forte, Vós sois Grande, Vós sois o Altíssimo, Vós sois o Rei onipotente, vós, ó Pai santo, o Rei do céu e da terra.
Vós sois o Trino e Uno, Senhor Deus dos deuses, vós sois o Bem, todo o bem, o sumo bem, Senhor Deus vivo e verdadeiro.
Vós sois amor, caridade; vos sois a Sabedoria, vós sois a Humildade; vós sois a Paciência, vós sois beleza, vós sois mansidão, vós sois segurança, vós sois quietude, vós sois regozijo, vós sois esperança e alegria, vós sois justiça, vós sois temperança, vós sois toda nossa riqueza até à saciedade.
Vós sois beleza, vós sois mansidão, vós sois nosso protetor, vós sois guarda e defensor nosso; vós sois fortaleza, vós sois descanso.
Vós sois nossa esperança, vós sois nossa fé, vós sois nossa caridade, vós sois toda a nossa doçura, vós sois nossa vida eterna: grande e admirável Senhor, Deus onipotente, misericordioso Salvador” (Louvores a Deus).
Com Santa Clara agradecemos o dom precioso do chamado: primeiro a viver no seu amor, a desfrutar de sua obra criadora e a cuidar dela como jardineiros e jardineiras guiados pelo amor; agradecer o chamado a seguir os passos de seu Filho como colaboradores/as na obra de reaproximar as criaturas todas de seu Criador. Agradecemos a vocação de servir a seu Reino, no serviço a seu povo. Agradecemos o privilégio de pertencer a uma grande família que tem como inspiradores luminares cuja luz atravessa séculos e continua brilhando e apontando caminhos:
“Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia e pelos quais mais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida. Por isso diz o Apóstolo: “Reconhece a tua vocação”. O Filho de Deus fez-se para nós o Caminho, que nosso bem-aventurado pai Francisco, que o amou e seguiu de verdade, nos mostrou e ensinou por palavra e exemplo. ...
Com que solicitude, então, com que zelo da mente e do corpo devemos observar o que foi mandado por Deus e por nosso pai, para restituir o talento multiplicado, com a colaboração do Senhor! Pois o próprio Senhor colocou-nos não só como modelo, exemplo e espelho para os outros, mas também para nossas irmãs, que ele vai chamar para a nossa vocação, para que também elas sejam espelho e exemplo para os que vivem no mundo. Portanto, se o Senhor nos chamou a coisas tão elevadas que em nós possam espelhar-se as que deverão ser exemplo e espelho para os outros, estamos bem obrigadas a bendizer e louvar a Deus, dando força ainda maior umas às outras para fazer o bem no Senhor” (TestC 2-5. 18-22).
Multiplicar os dons é a forma de agradecer que nos recomenda Clara. Estamos às portas de um novo ano. O chamado é sempre para recomeçar, buscar novos caminhos com energia renovada, com novo alento e solicitude redobrada. Que as celebrações natalinas reforcem em nós a resistência profética de Maria para que a seu exemplo nossa vida seja um “sim” social e político nesta sociedade que marginaliza e rejeita.
Que 2026 seja fecundo, feliz e profético! Que Deus conceda a nosso mundo a paz tão almejada! Feliz Ano Novo.

