“E depois que o Senhor
me deu Irmãs e Irmãos...”¹
Na celebração dos 111 anos de Vida-Missão da nossa congregação, nós Irmãs Catequistas Franciscanas, compartilhamos a narrativa do Simpatizante Márcio Dionizio Inácio em nossa Casa Mãe.
Com enorme alegria, entre os dias 23 a 29 de novembro de 2025, estive em um período de convivência com as Irmãs Catequistas Franciscanas, na Casa Mãe em Rodeio, SC.
Essa é uma daquelas experiências gigantes, em profundidade e graça, onde não se sai igual. São tantas as coisas a serem saboreadas num prisma de contemplação que cometerei o desatino de nomear algumas:
1. convivência com as irmãs, perpassando inumeráveis histórias e formas de testemunhar o próprio Cristo em diferentes dimensões missionárias.
2. Todo o arcabouço histórico da congregação preservado com esmero a nos convidar a rezar.
3. As fontes cristalinas de estar num lugar donde o carisma brota e poder palmilhar uma terra santa.
4. Convivência nas celebrações e na partilha das refeições diárias.
5. Mergulhar no horto e se implicar com a necessidade de mudar o jeito de cuidar da Casa Comum.
6. Abraços, olhares, afagos... Ou seja, banhar-se num mar de coerência e testemunho.
Quero inicialmente compartilhar uma contemplação que pude fazer.
Em uma manhã fui ao cemitério de Rodeio, lá estão sepultados os fundadores da congregação (Frei Polycarpo), as três irmãs fundadoras (Liduína, Maria e Amábile), a Irmã Clemência (co-fundadora que era da congregação das Irmãs da Divina Providência, mas que apoiou e guiou a primeira geração de irmãs) e tantas outras pessoas que escreveram até aqui a história sagrada das Irmãs Catequistas.
Não fui passear ou satisfazer uma curiosidade. Fui rezar com elas e com a irmã Morte, que foi abraçada por Francisco no Cântico das Criaturas. E foi importante me achegar a essa história e intuir o que elas podem me dizer para esses tempos.
No mesmo dia, perto da noite, fui visitar a Casa do Sim e ter um tempo com a irmandade que lá vive. Duas jovens postulantes que fazem parte desta irmandade, estão dando seus primeiros passos na congregação. Rostos indígenas, olhares que falam do futuro, na estreiteza do presente.
Mas eis que a porta é estreita e aos poucos aprendemos a passar por elas. Ao fim do dia, recolhendo essas duas experiências era como se eu tivesse contemplado duas pontas de um profundo mistério: uma história vívida contada pelos fundadores... De um lado a história plantada nos chãos de Rodeio, do outro um futuro fértil, diverso e ao mesmo tempo capaz de tatear com leveza a realidade. Eu senti muita gratidão por ter visto e sentido essa experiência dentro da profundidade como ela se apresentou para mim.
Preciso mencionar que conviver com as irmãs que moram na casa é um capítulo à parte. São tantas histórias, testemunhos de vida, superações e avanços em situações às vezes limites pelas quais elas passaram pela vida.
Aprendi sobre a história da congregação, as exigentes missões Brasil afora, as caminhadas em América Latina e África. Como essas experiências não são coisas do passado, pelo contrário, estão recheadas de um frescor, um sentido de tempo diferente, kairológico; tempo fértil.
Por falar em história, a Casa Mãe é um lugar que fala por si. Seu acervo histórico é primoroso e faz viajar no tempo, soma-se a ambientação de espaços onde as fundadoras viveram; um lugar sagrado, onde é sensível a presença delas e de onde uma força espiritual emana. O lugar em si, também conta histórias, transformações e convida à contemplação.
Quero destacar também a importância do Horto Irmã Eva. Esse lugar é muito especial. Nele as marcas da dedicação da Irmã Eva em preservar um pedaço da diversidade do paraíso aqui na terra. É evidente a persistente dedicação das irmãs que sustentam a continuidade do espaço, das coleções de plantas e do abrigo para uma grande comunidade de insetos, pássaros, animais silvestres e as galinhas angolistas, que são tão bonitinhas. Há muito trabalho para manter tudo isso e pedimos ao Pai que envie simpatizantes para a messe.
Essa foi uma descrição muito simples de uma experiência profunda e que me marcou profundamente. Experiência que só confirma uma intuição que tenho: nós nunca voltamos no mesmo lugar. Digo isso porque já estive na Casa Mãe outras vezes, e a cada regresso a profundidade do mergulho é diferente, marcante e transformador. Tudo isso só confirma minhas opções como simpatizante do carisma junto com as Irmãs, no meu lugar de leigo.
Quero agradecer a todas as irmãs que me ajudaram a fazer essa experiência, me acolheram e foram solidárias em dividir um pouco suas vidas e seu cotidiano comigo.
Sim Francisco, o Senhor me deu Irmãs, com elas vou aprendendo a viver o Evangelho vivo e atual.
Baseado na frase de Francisco de Assis: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o próprio Altíssimo e revelou que deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho”. (Test. 14)

