Em São Francisco, Maria aparece sempre relacionada aos mistérios centrais da fé cristã.
A Família Franciscana vive um momento especial nesse Ano Jubilar Franciscano, que celebra os 800 anos do Trânsito de São Francisco. Momento de louvar a Deus porque nos deu Francisco e Clara, e com eles um jeito próprio de seguir Jesus Cristo. Momento de retomar com renovado vigor a forma de vida que um dia abraçamos.
No mês de maio, a Igreja volta seu olhar com mais atenção para Maria, a mãe de Jesus, a Nossa Senhora de tantos nomes e tantas devoções. Maria partícipe especial na história da salvação, em sua pobreza colocou-se à disposição para que o Filho por meio do Espírito Santo fosse nela gerado. Maria, a bem aventurada porque acreditou, cantora da esperança dos pobres. Maria presente na Igreja nascente. Como Francisco de Assis se relacionou com Maria? O que nos deixou como herança nesse particular?
Nem sempre a devoção à Maria foi e é coerente com a fé cristã. Francisco, ao contrário, dá à Maria um lugar coerente com a fé que professada, a fé reta que pediu diante do Crucifixo de São Damião. Em São Francisco, Maria aparece sempre relacionada aos mistérios centrais da fé cristã. Assim é com a Encarnação. Assim é com a Trindade Santa.
Em seus escritos, bem como em suas biografias, podemos encontrar várias passagens em que demonstra toda reverência e afeto à Maria devido à Encarnação. “Seu amor para com a bem-aventurada Mãe de Cristo, a puríssima Virgem Maria, era de fato indizível, pois nascia em seu coração quando considerava que ela havia transformado em irmão nosso, o próprio Rei e Senhor da glória.... 2Cel 198. “Esta Palavra do Pai tão digna, tão santa e gloriosa, o altíssimo Pai a enviou do céu por meio de seu santo anjo Gabriel, ao útero da santa e gloriosa Virgem Maria, de cujo útero recebeu a verdadeira carne da nossa humildade e fragilidade”.2Fi 4 “Ouvi, irmãos meus: Se a bem- aventurada Virgem é tão honrada – como convém- porque o trouxe em seu santíssimo útero”. Ord 21.
O mesmo podemos perceber na antífona do Ofício da Paixão, em que Maria aparece com destaque “não há mulher nascida no mundo semelhante a vós” mas por sua relação com a Trindade: “... filha e serva do altíssimo Rei e Pai celestial, Mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo...”
Ao comentar um outro escrito de Francisco, Saudação à Mãe de Deus, frei José Carlos Pedroso, ressalta que “uma das grandes originalidades é lembrar a integração de Nossa Senhora na vida da Santíssima Trindade, logo no início da saudação. Maria é aquela em que vê o céu, porque vê a Trindade vivendo nela”.
Com São Francisco podemos amar com especial devoção Maria, a Nossa Senhora e sobretudo nela nos inspirar para ser como ela, discípulo e discípula de Jesus de Nazaré.
