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15 Maio 2026
Maria de Nazaré: fonte viva de inspiração e conversão

 

“Nós somos as que sopram o amanhecer...”
(Canto reza das mulheres Guarani Kaiowa)

Em nossa caminhada de simpatizantes, buscadoras/res da espiritualidade de Francisco e Clara de Assis, Maria é uma presença viva de grande significado para nós. Quero tentar trazer aqui a Maria de Nazaré, a dos empobrecidos, a que participou com outras mulheres da construção do seguimento de Jesus. O que quero partilhar com vocês não é a Maria que conhecemos das estruturas patriarcais, misóginas, eurocêntricas.

Nesse sentido, precisamos, a cada dia, chegar mais perto da Maria de Nazaré que, vivendo em contextos de grande opressão, rompeu com as correntes do seu tempo e superou inúmeros desafios.

Com muita fé e rara espiritualidade, essa mulher que vivia nas periferias da Galileia, subverteu os valores da sua época, sendo silenciada pela igreja e teologia patriarcais. Foram inúmeros os sofrimentos dessa jovem desde quando se descobriu grávida até o dia que presenciou a morte do seu filho. Esteve presente em todos os momentos significativos da trajetória de Jesus, participando no anúncio e testemunho de seu compromisso na construção do reino de Deus, de um outro mundo possível, mais justo e mais igualitário.

Os nossos grupos de simpatizantes e na nossa vida pessoal são espaços ricos de trazermos essa memória da Maria dos empobrecidos, fazendo a desconstrução da Maria da tradição patriarcal e eurocêntrica para chegarmos à Maria, voz profética da esperança e de libertação.

Como podemos chegar mais perto de Maria de Nazaré? Penso que os pequenos grupos são espaços importantes de escuta das imagens da Maria que nos ensinaram e que nós introjetamos até hoje. Expressando nossas imagens, podemos nos perguntar: o que pode ser fortalecido? O que precisa ser desconstruído? Em nossos momentos de oração e meditação podemos sentir a presença amorosa de Maria, atenta a tudo e a todas/os.

Outra maneira de se aproximar é buscar uma escuta atenta à sabedoria e experiências de vida das mulheres do povo, nos círculos bíblicos, nas comunidades eclesiais de base, pois na religiosidade popular, Maria é força espiritual para as mulheres que se inspiram em seus exemplos de superação de muitos sofrimentos e desafios enfrentados. As mulheres indígenas, também, muito nos ensinam: a importância da força da espiritualidade, o profundo respeito a ancestralidade, a força da união de todo o coletivo.

No nosso grupo, procuramos fazer a leitura popular da Bíblia, participando dos cursos e encontros do CEBI (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos). Estamos aprendendo a recriar a nossa leitura de Maria. Passo a passo, vamos reconstruindo, também, a nossa espiritualidade com nossas próprias narrativas de vida, inspiradas em tantas outras mulheres.

A leitura e reflexão das histórias de vida das místicas, também, vão iluminando nossos caminhos e, com elas, muito nos inspiramos: Clara de Assis, Maria Madalena, Hildegard von Bingen, Etty Hillesum, Simone Weil, Doroty Stang e muitas outras.

Em tempos tão densos e misóginos, onde o feminicídio caminha a passos largos, assim como as diversas formas de violência contra as mulheres, precisamos de muita união e solidariedade entre nós para testemunharmos mais esperança e justiça numa humanidade tão desigual e polarizada.

Nas bodas de Caná, foi a partir de Maria que um novo e bom vinho foi servido a todas/os. Que possamos anunciar, a cada dia, o amanhecer de um novo tempo, uma nova aurora de esperança para uma humanidade mais acolhedora, justa e igualitária.

Fonte: Pastora Odja Barros. Apresentação feita na Semana de Mariologia Feminista 2025. Canal Não é Heresia.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Simpatizante - Maria Elizabeth Resende de Carvalho