A adoção é uma das mais belas formas de gerar humanidade.
Sou Fabrício César M. Babosa, pai do João e Simpatizante do Carisma da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Certa vez, li uma frase que dizia que "ser pai é uma aventura para toda a vida."
Creio que esse desejo nasceu em mim ainda na infância, ao contemplar o testemunho do meu pai, Joaquim, um homem justo e amoroso. Ver a alegria com que ele assumia essa missão sempre foi uma inspiração para mim.
Foi, porém, em São José que esse desejo se fortaleceu. O pai adotivo de Jesus sempre me fez refletir sobre a vocação da paternidade e compreender por que esse chamado ardia tão profundamente em meu coração.
Rezei muito sobre isso. Eu tinha a certeza de que desejava ser pai, mas por meio da adoção. Fui construindo esse caminho sem pressa, permitindo que a maturidade desse ainda mais sentido e profundidade a essa escolha.
Aos 38 anos, conheci meu filho João, que tinha apenas quatro anos de idade. Lembro-me com emoção daquele momento no corredor do abrigo. Em meio a tantas crianças, foi ele quem veio ao meu encontro e pediu que eu o levantasse nos braços. Naquele instante, tive a certeza de que ali estava o pedaço do meu coração que eu esperava encontrar.
Vieram, então, as etapas do processo de adoção: a guarda provisória e, finalmente, a tão esperada audiência final. Naquele dia, ele passou a ser, também diante da lei, meu filho. Mas, para nós, já éramos pai e filho muito antes. A adoção é um encontro de almas.
Em nenhum momento duvidei desse chamado, mesmo sabendo que ser pai solo traria desafios e que, ao longo do caminho, encontraria preconceitos e incompreensões. Nada disso foi capaz de diminuir meu entusiasmo, porque o amor que construímos sempre foi — e continua sendo — maior do que qualquer adversidade.
A adoção é uma das mais belas formas de gerar humanidade.
Um pai escolhe amar; um filho descobre o amor de um pai; e, dessa escolha, nasce uma família. Não é o sangue que une, mas o amor, o cuidado e a presença que transformam dois corações em um vínculo para toda a vida.
Hoje, João é um jovem bonito e generoso, com 17 anos. O tempo passou depressa, mas a resposta de amor continua a mesma. Na verdade, ela cresce a cada dia, confirmando que a paternidade não nasce apenas da vida que se gera, mas, sobretudo, do amor que se escolhe viver.
Paz e Bem!

