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15 Fevereiro 2026
Na Dança do Carisma

 

Bondade e coragem num coração Amante

Luzes para o Faça-se em nós

Já estamos em meados de fevereiro, mês que, no carnaval da vida, nos conduz às agendas de começos e recomeços. Mês propício para, na dança do carisma, trazer Maria Avosani, cuja memória celebramos dia 20 de fevereiro, para dançar conosco.

Nos textos pesquisados, nas lembranças remotas ainda guardadas pelas irmãs que a conheceram ou ouviram falar dela, bondade e coragem aparecem como uma constante. Foi surpreendente o quanto essas qualidades se repetem e quase sempre acompanhadas por um adjetivo que as reforçam. Surpreendeu-me também, aprofundar o seu sentido etimológico. Realmente as palavras guardam raízes antigas e, nelas, um sentido que podem iluminar nossa vida atual se as contextualizarmos.

Coragem, entendida como ação do coração (coraticum), aparece em Maria Avosani como força interior capaz de enfrentar riscos e situações difíceis. Bondade, vinda de bonus, manifesta-se como disposição constante para o bem, para o cuidado e para a empatia, qualidades frequentemente atribuídas a ela. Quando coragem e bondade se encontram, elas se fundem e se fortalecem. A coragem se reveste de ternura; a bondade adquire firmeza. Essa união aparece de forma nítida nos escritos. Alguém de “extrema bondade”, cuja presença motivava e encorajava aquela/es que com ela conviviam.

Há pessoas cuja história não se explica pelos grandes feitos, mas pela qualidade do coração que as move. Em Maria Avosani, coragem e bondade marcam todo o seu itinerário. Durante anos de convivência com o povo, na irmandade e na condução da Companhia das Catequistas, sua vida foi sendo pautada pela mesma atitude: solicitude, atenção e bondade perseverante. Tudo nela demonstrava um coração de “maternal bondade” e acolhimento, mesmo diante das exigências da missão. Na busca de aprender para melhor atuar, colocava toda a “força de seu coração” e revelava-se como alguém de coração cheio de esperança, capaz de deixar, por onde passava, o testemunho de uma “grande bondade”. Pessoa profundamente orante, Maria não separava fé e vida. Seu amor a Jesus crucificado aparece como fonte de força para enfrentar momentos difíceis e exigências duras. Essa fé lhe dava “audácia, unificava sua vida” e sustentava suas decisões cotidianas.

Nas visitas às comunidades e às irmandades, sua presença era especial. Ao visitar as irmãs, renovava nelas a coragem. Suas visitas eram sobretudo para levar estímulo e encorajamento. Onde era necessário corrigir, fazia-o com carinho, mas também com firmeza. Enfrentava, se fosse preciso, longas caminhadas e atalhos para encontrar as irmãs e o povo onde trabalhavam. Não por acaso, foi ela que corajosamente intuindo os sentimentos das três expressou a frase emblemática: Um ano não, nós queremos ficar sempre!

Maria Avosani sabia conduzir as pessoas “não pela dureza, mas pela persuasão, pelo estímulo e pela caridade”, envolvendo a todos com sua atitude cheia de afeto. Era   terna e paciente, “sem ser fraca ou covarde”. Sua bondade e coragem brotavam de uma vida de intimidade com o Senhor, vivida na simplicidade e numa ascese do cotidiano. Foi o amor que lhe ditou a bondade corajosa pela qual é lembrada. Era o amor que tornava seu coração “tão bom, forte e compassivo”. Ao buscar respostas para as situações concretas, as dificuldades não a paralisavam, mas despertavam nela ainda mais coragem, deixando em todos a lembrança de “sua terna bondade”.

Certamente, desse legado, muitas irmãs e simpatizantes beberam e continuam a beber para viver o carisma em cada contexto da história. Temos muitos testemunhos de irmãs que buscaram e buscam viver essas qualidades na sua vida-missão. Mas é sempre bom recordar, parafraseando São Francisco: ai de nós se ficarmos apenas enaltecendo as qualidades das primeiras irmãs, sem buscar colocá-las em prática.

Pensar bondade e coragem em Maria Avosani, no contexto mundial e congregacional de hoje, à luz de nossas linhas inspiradoras, dos passos do processo de reorganização, das questões geracionais e dos novos rostos emergindo é, sem dúvida, profundamente interpelador. Diante da realidade interna da congregação, dos desafios socioambientais, da urgência do cuidado com a Casa Comum, das feridas abertas pela desigualdade, pelos conflitos e pela busca de paz no mundo, a coragem e a bondade farão a diferença. Somos chamada/os a assumir posições claras e decididas, sem nos deixar contaminar pelo individualismo alienante, pelo consumismo neoliberal ou pelo apego às próprias ideias (Simpatizante Adelmo na ressonância do artigo anterior) que nos distanciam dessas qualidades tão próprias da espiritualidade franscisclariana.   

Coragem de atravessar fronteiras pessoais, culturais, afetivas e geracionais para o cuidado e   defesa da vida; bondade para acolher, dialogar, cuidar e aprender da terra e das pessoas com ternura e compaixão. Assim, o carisma permanecerá sempre mais vivo, profético, atual e fecundo, uma força transformadora no hoje da história. Que Maria Avosani interceda para que a coragem e bondade Faça-se em Nós!

 Obs. O texto baseia-se nos livros citados abaixo e em falas de irmãs que conheceram Maria Avosani ou ouviram falar dela.  

  1. VALANDRO, Edé Maria; VALLER, Tereza. Madre Avosani. 1984.
    Páginas citadas: 3, 5, 24, 28, 38–39, 45, 48, 51–52, 57, 62, 65–66, 72, 77–78, 81, 83.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Carmelita Zanella

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