Peçamos a Clara e Francisco que nos ajudem a nos empenhar na luta pela justiça no trabalho, em nosso país e em todo o mundo
O trabalho é dom especial com que Deus quis nos associar à sua obra criadora e inserir-nos na dinâmica salvífica. É saudável deixar de ver o “comerás o pão com o suor de teu rosto”, como castigo para vê-lo como desafio, como impulso para que desenvolvamos plenamente nossa capacidade criativa e de entrega; compreendê-lo mais como uma confirmação do “façamos o homem e a mulher à nossa imagem e semelhança”, seres capazes de continuar a obra divina. A graça do trabalho é a maneira de Deus nos associar a seu projeto.
No 1° de maio, internacionalmente se festeja o trabalhador. Celebrar o trabalhador é reconhecer seu valor, sua imprescindibilidade, sua grandeza como força que gera e sustenta a vida. O trabalhador é imagem viva do Deus criador, é imagem de Jesus que declara seu Pai e a si mesmo incansáveis trabalhadores: “O meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho (Jo 5,17).
Tanto para Clara como para Francisco o trabalho é algo sagrado, é graça, e dom herança que vem com nossa filiação divina, com nosso ser irmã/irmão. Ele é decorrência de ver o irmão, a irmã como algo amado e assumido. É próprio do ser menor, do ser irmão, irmã.
“Os irmãos, aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente, de maneira que, afastado o ócio, inimigo da alma, e não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual devem servir todas as coisas temporais. Quanto à paga do trabalho, recebam para si e para seus irmãos o que for necessário ao corpo, exceto dinheiro de qualquer espécie; e isto façam com humildade, como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima pobreza” (RB 5,1-5).
Ele pratica o que estabelece para os irmãos: “E eu trabalhava com minhas mãos, e quero firmemente que todos os outros frades trabalhem em trabalho que convém à decência. Os que não sabem, aprendam, não pela cobiça de receber o preço do trabalho, mas pelo exemplo e para repelir a ociosidade. E quando não nos derem o preço do trabalho, recorramos à mesa do Senhor, pedindo esmola de porta em porta” (Test 20-22).
Clara tem a mesma postura de Francisco e também assume para si e para suas irmãs o trabalho como caminho de para Deus: “As Irmãs a quem o Senhor deu a graça de trabalhar trabalhem com fidelidade e devoção, depois da hora de Terça, em um trabalho que seja conveniente à honestidade e ao bem comum, de modo que, afastando o ócio, inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual as outras coisas temporais devem servir.
A abadessa ou a vigária devem indicar em capítulo, diante de todas, o que cada uma deverá fazer com as próprias mãos” (RSC 7, 1-3)
Ela também sempre ensinou sobretudo pelo exemplo: “Durante a grave doença que a prendeu à cama, fazia-se erguer e sustentar colocando apoios. Assim, sentada, fiava panos finíssimos, com os quais fez mais de cinquenta jogos de corporais que, colocados dentro de bolsas de seda ou de púrpura, destinava a diversas igrejas do vale e das montanhas de Assis” (LSC 28).
Ao comemorar a luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras por melhores condições de trabalho, neste mês em que comemoramos os 135 anos da Rerum Novarum (15/05/1891), peçamos a Clara e Francisco que nos ajudem a nos empenhar com toda a energia da nossa alma e generosidade do nosso zelo, na luta pela justiça no trabalho, em nosso país e em todo o mundo.

