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29 Abril 2026
Uma Resposta Firme e Perseverante

 

“Eu vim de lá do interior, aonde a religião ainda é importante...”

“Onde há Vontade há um Caminho” 

Sou irmã Maria de Jesus Moraes e no ano em que completo 50 anos de Vida Religiosa Consagrada, quis escrever um pouco da minha história e compartilhar aqui.

Sempre que nasce uma planta que Deus semeou no coração do mundo, Ele se alegra. Assim foi também com o meu nascimento no dia 08 de outubro de 1939. Alegria de Deus, alegria e também preocupação para meus pais, Maria José de Souza Moraes e José Joaquim de Moraes, residentes no povoado Canafístula, estado do Ceará, por mais uma responsabilidade.

Quem planta, cuida, e além de meus pais, Deus cuidou de não perder-me de vista e muito cedo enviou-me para ser missionária no povoado aonde residíamos. A igreja era do tempo da desobriga, missa de ano em ano. Enquanto isso, eu reunia a juventude. Inventávamos tudo o que era história de santos e fazíamos novenas, a fim de reunirmos a comunidade. Muito católicos, além de rezar o terço conosco todas as noites, para manter viva a chama, meu pai ou minha mãe iam a pé com as crianças maiores participar da Santa Missa na cidade de Chaval-CE, 05 léguas = 30 kms de distância de onde morávamos, ou mais longe um pouco, até a cidade de Parnaíba, 52 kms de distância.

Observando o vai e vem dos padres e irmãs que se moviam na igreja de São Sebastião em Parnaíba, na madrugada, antes da reza do ofício de Nossa Senhora, eu alimentava o sonho de ser uma daquelas pessoas. Um dia falei do meu sonho com minha mãe, ao que ela respondeu: “minha filha, isso é pra quem pode, não é pra gente como nós”. Entristeci e passei a participar das festinhas e matinês nas comunidades, arranjei paqueras, e embora ouvisse propostas de casamento não encontrava neles o que meu ser buscava.

O tempo foi passando e minha mãe começou a atruzigar o juízo do meu pai para irem embora daquele lugar que não tinha nada a oferecer para suas filhas. Digo filhas, porque os homens que nasceram foram morrendo, só sobreviveu um, o caçula. De tanto ouvir, “Zé, vamos sair daqui”, o pai resolveu ir embora. 

Veio para a cidade de Piripiri-PI em 1964, tempo de ditadura. Em lá chegando, pegou um pedaço de terra devoluta no bairro Paciência, 03 kms do centro da cidade e ali a nova família começou a dinamizar a catequese com os filhos dos moradores do bairro. Também os  franciscanos passaram a  celebrar a Santa Missa no terreiro da casa de meus pais. Eu arranjei trabalho em uma camisaria, trabalhava o dia inteiro e estudava a noite. Comecei a estudar a partir da quarta série. Depois uma professora me disse que eu estava perdendo tempo se fosse fazer a quinta série e que ela estava disposta a me preparar para o exame de admissão. Fiz, passei para o primeiro grau. Nesse tempo comecei a participar dos cursos de formação para catequistas, ministrados 02 vezes ao ano pela equipe de Bacabal – MA. Irmãs Catequistas Franciscanas e Padres Franciscanos. Me enamorei com o jeito delas, fui falar com elas. Me perguntaram o grau de estudo, respondi que estava cursando a sétima série. Veio mais uma cuia de água fria sobre mim. “Recebemos com o segundo grau”. Chorei, chorei, e me resignei com o que dizia a mamãe... “Não é pra gente como nós...”

Mas Deus não soltou a minha mão. Então, depois daquela resposta, me enviaram uma carta dizendo que eu podia ir. Fui a Bacabal, ali trabalhei na secretaria do Seminário Catequético, estudei o segundo grau no colégio de Nossa Senhora dos Anjos. Quando terminei, continuava aquecida pela voz que me dizia “Vem e segue-me”. Embalada por esta voz resolvi dizer sim, e a partir dessa decisão recomeçaram as dificuldades.

Vivendo em um mundo onde muitas pessoas acham que tem direito de decidir nossa vida, isto se fez presente através dos nãos diante da minha decisão de ir em frente quando me vieram dizer que agora que havia me formado, deveria voltar para casa para ajudar aos meus pais que eram pobres e sem recursos, ao que tive a coragem de responder dizendo. “Faz quatro anos que estou longe e eles sobreviveram. Por isso, se eu for, eles continuarão sobrevivendo”.

Conversando com irmã Maria Luiza Piva (In memória) que era Ministra Provincial e na época estava visitando o nordeste, ela me deu o aval para ir.  A recusa em não desistir me fez chegar até Rio do Sul-SC. Fui porque acreditava em meus sonhos. Eles existem em todos os lugares, apenas esperando o lugar e a oportunidade para se concretizar. E quando a pessoa se recusa que outros definam seus limites, a vitória pode se multiplicar. Fui à Santa Catarina, lá fiz o estudo em preparação para a Vida Religiosa Consagrada.

Aos 25 de dezembro de 1976 reiterei o meu sim na Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Daí para frente, continuei entregando minha vida ao serviço do Reino, no serviço ao povo na Educação em Rio do Sul/SC, Serril/SC, Alto Rio Krauel/SC, Rio Fortuna/SC. Depois retornei ao nordeste e continuei a missão na paróquia e na educação em Vitorino Freire-MA. Vim para Bacabal-MA onde trabalhei no Seminário Catequético, na formação de catequistas e dirigentes das comunidades. Retornei para Santa Catarina para o trabalho na secretaria da Província Santa Clara de Assis a qual eu pertencia. Em 1991 fui para Araguaína-TO onde trabalhei por onze anos. Ali exerci a missão na coordenação da catequese diocesana e paroquial.

 Em 2014 fui a Luanda-África onde realizei as atividades: coordenação do Projeto 4ms; acompanhamento ao grupo de mulheres; acompanhamento às escolas vizinhas; Membro da coordenação da Caminhada pela Paz; 2018/2022 fui secretaria da Província Cléglia Ânesi em Teresina-PI. 2022/2023 fui a Boa Vista-RR, cujas atividades realizadas eram: aos sábados, ser presença junto aos migrantes venezuelanos que estavam na casa de passagem Fé e Alegria e iam ser interiorizados, ajudando-os no aprendizado da língua portuguesa, e situando-os na história e na geografia da cidade para onde estavam sendo enviados; também era membro da coordenação do SAV na diocese B.Vista-RR. Retornei a Teresina-PI onde continuei e continuo nos trabalhos de secretaria.

Neste ano de 2026, em 25 de dezembro completarei 50 anos de Vida Religiosa Consagrada. No último dia 19 de abril, dentro do encontro da Região Missionária Trindade, celebrei junto com as irmãs essa caminhada.  O presidente da celebração foi frei Heriberto Rembecki, concelebrante Pe. Ladislau João da Silva, dois irmãos e amigos de longa caminhada. A homilia foi feita pela Dra Joceli. Também a presença das minhas três irmãs e uma sobrinha, um grupo de simpatizantes do carisma e outras pessoas amigas, marcaram este precioso e inesquecível momento.

 A caminhada de 50 anos trouxe muitas alegrias, dificuldades e muitas machucaram, mas cada dificuldade em vez de desanimar-me fizeram-me uma mulher mais forte, pois cada vez que se recusa em desistir, cada vez que se levanta a cabeça e segue em frente com amor, a esperança se renova e não importa de onde começamos, mas o outro lado onde conseguimos chegar. Não obstante as dificuldades optei por continuar e fui aprendendo, pois “ninguém caminha sem aprender a caminhar”. Talvez até consiga dizer, não sei se aprendi, mas me esforcei o quanto pude e aqui estou.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Maria de Jesus Moraes

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